Mexo

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:::em tudo (foto: Rafael Bertelli)

segunda-feira, junho 07, 2010

desconfiado descostumo desconexo

Ele fechou os olhos
ela nem respirou e beijou ele.
Eu sabia! Eu sabia que ela ia fazer isso.
Não tinha certeza de quando ela tinha se tornado assim tão previsível.
Será que foi com o tempo?
Ou com a distância?
Será que sempre foi assim e eu que me desacostumei?
Desde quando mergulha assim nos lábios de alguém que só fez fechar os olhos?
Quem é ele? amor novo?
Desde quando ama?
Me desacostumei, será?

Impulsos fervidos de beijos que não reconheço.
De longe, parece filme, é quase inspirador.
De perto, é infantil, desesperado, me dá certo embaraço.
Não tenho certeza de quando comecei a me sentir constrangido pelos outros.
Eu, que antes ria, agora rio amarelo, cubro o rosto, mudo de canal.
Gestos atabalhoados respingam em mim e me incomodam como andar de bicicleta sem paralamas, numa cidade grande, em dia de chuva - leptospirose certa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Triste

Anônimo disse...

Andar nesta bicicleta por toda a cidade sem paralamas, sentindo os respingos nas costas como um alerta para estarmos vivos até o fim da jornada em um caminho que não leva a lugar nenhum, e nenhum é o fim.

Então ser e pedalar atento para observar ao longo do caminho o que deve ser aprendido, não necessariamente o que deve ser contado, pois cada qual segue o seu caminho.

O fim nunca teve importância, já a trilha percorrida é o legado que podemos deixar para lembrar de mais um beijo, lembrança que existe mesmo de olhos fechados. É do tocar dos lábios, é dos caminhos que esses lábios percorrem com paixão até que se descolam e ja não têm mais o que dizer.

E quem fecha os olhos tem sorte quando é beijado. Pena é não podermos andar por ai as cegas para sermos sempre surpreendidos por beijos e ter então muito o que contar e beijar, beijar, beijar.