Diante do espelho
Notou-se cozida em água fria.
segunda-feira, novembro 05, 2007
quinta-feira, outubro 25, 2007
Lágrima
Dentro de mim há um buraco.
Tenho muito medo de cair lá dentro.
Não há nada lá além de mim mesmo.
Tenho muito medo de cair em mim.
Tenho muito medo de cair lá dentro.
Não há nada lá além de mim mesmo.
Tenho muito medo de cair em mim.
domingo, outubro 14, 2007
Só chove
Chove e eu tenho livros.
Chove e eu tenho edredom.
Chove e eu tenho filmes.
Chove e eu tenho sopa.
Chove e eu tenho brigadeiro de panela.
Chove e eu tenho meias.
Chove e eu sou só.
Chove e eu tenho edredom.
Chove e eu tenho filmes.
Chove e eu tenho sopa.
Chove e eu tenho brigadeiro de panela.
Chove e eu tenho meias.
Chove e eu sou só.
sábado, agosto 18, 2007
A você
Não tem jeito de despedida essa última vez que faço o caminho de você para meu trabalho. Deve ser a ficha entalada na garganta junto com as milhares de coisas que tenho pra te dizer. Ficha que não caiu, palavras que me fogem boca adentro e se perdem dentro de mim, se escondem em meus pulmões, brigam espaço com minhas veias, furam meu estômago, meus ossos, causando dor, asfixiando, fazendo chorar.
Há tanto ainda a ser dito...
Obrigada.
Por você ter se jogado, ter se permitido.
Obrigada.
Por você ter me correspondido, por ter se empenhado.
Obrigada.
Por você ter confiado em mim para chorar, para ser.
Obrigada.
Por ter me dado a família que sempre quis e por acreditar nela. Eu acredito.
Obrigada.
Por cada momentinho inédito ou não que foi especial por ter sido só nosso.
Obrigada.
Por me achar linda e me dizer e me mostrar.
Obrigada.
Por me criticar, me brigar, me reclamar, me corrigir, me melhorar.
Obrigada.
Por me ouvir, me entender, por argumentar.
Obrigada.
Por me incentivar, acreditar em mim, me emocionar...
Obrigada.
Por ecrever, por cantar, por contar, por tocar, por pedalar
para eu ler, ouvir, chorar, acompanhar, vibrar.
Obrigada.
Por ter tentado tudo, por ter pedido pra eu ficar, por ter se arrependido, por ter me querido tanto, por ter me amado o muito, por ter me libertado.
Obrigada.
Por ter sido a melhor parte de mim e por permanecer.
Obrigada.
Há tanto ainda a ser dito...
Obrigada.
Por você ter se jogado, ter se permitido.
Obrigada.
Por você ter me correspondido, por ter se empenhado.
Obrigada.
Por você ter confiado em mim para chorar, para ser.
Obrigada.
Por ter me dado a família que sempre quis e por acreditar nela. Eu acredito.
Obrigada.
Por cada momentinho inédito ou não que foi especial por ter sido só nosso.
Obrigada.
Por me achar linda e me dizer e me mostrar.
Obrigada.
Por me criticar, me brigar, me reclamar, me corrigir, me melhorar.
Obrigada.
Por me ouvir, me entender, por argumentar.
Obrigada.
Por me incentivar, acreditar em mim, me emocionar...
Obrigada.
Por ecrever, por cantar, por contar, por tocar, por pedalar
para eu ler, ouvir, chorar, acompanhar, vibrar.
Obrigada.
Por ter tentado tudo, por ter pedido pra eu ficar, por ter se arrependido, por ter me querido tanto, por ter me amado o muito, por ter me libertado.
Obrigada.
Por ter sido a melhor parte de mim e por permanecer.
Obrigada.
Culpa
Existe um lugar no ano que permite que sejamos
Existe um vazio na melodia que permite um improviso
Existe uma distância entre o “ser ou não ser” que grita uma fuga
Existe um lugar aonde dentro de cada um acontece o encontro com o pior de si
Existe um vazio no lugar comum que permite uma queda
Existe uma distância entre o passo e o ficar que sugere a hesitação
Existe um lugar onde há perdão
Existe um vazio onde se esconde a culpa
Existe uma distância entre nós dois que é nada mais que uma desculpa
Existe a desculpa
A des-culpa.
Existe um vazio na melodia que permite um improviso
Existe uma distância entre o “ser ou não ser” que grita uma fuga
Existe um lugar aonde dentro de cada um acontece o encontro com o pior de si
Existe um vazio no lugar comum que permite uma queda
Existe uma distância entre o passo e o ficar que sugere a hesitação
Existe um lugar onde há perdão
Existe um vazio onde se esconde a culpa
Existe uma distância entre nós dois que é nada mais que uma desculpa
Existe a desculpa
A des-culpa.
Por amor
Ele a olha tristemente
Sente-se vencido, já nem canta mais
Ela sabe o que fazer
“E se ele não sobreviver?”
“E se eu não sobreviver?”
A garotinha agarra no banco, posiciona-o diante da janela escancarada, trepa nele com cuidado de equilibrista, estica-se para cima e com algum esforço (porque o outro algum, que completaria o todo, não tinha certeza) ampara a gaiola com uma das mãos enquanto deixa correr a outra sobre a portinhola que se abre lentamente. O passarinho hesita um segundo, a menina sente seu coração bater mais forte, então ele toma a decisão e ganha o azul do céu. Ela nem pôde tocar-lhe as penas pela última vez. No entanto acompanha seu vôo céu afora com um sorriso, os olhos miúdos querendo chorar e o coração apertado meio triste, meio feliz. Metade saudade, metade coragem.
Se ela logo fechou a janela e foi ver os desenhos ou se ficou a sofrer em sua cama a falta que lhe fazia o bichinho, não sabemos. Há quem diga que depressa voltou-se para suas bonecas e que vestia-as e penteava-as. Numa um rabo-de-cavalo, na outra os sapatos de fivela. Mas que de noite, quando se foi deitar, apesar do frio lá fora, deixou entreaberta a janela aonde ainda pendia a gaiola.
Sente-se vencido, já nem canta mais
Ela sabe o que fazer
“E se ele não sobreviver?”
“E se eu não sobreviver?”
A garotinha agarra no banco, posiciona-o diante da janela escancarada, trepa nele com cuidado de equilibrista, estica-se para cima e com algum esforço (porque o outro algum, que completaria o todo, não tinha certeza) ampara a gaiola com uma das mãos enquanto deixa correr a outra sobre a portinhola que se abre lentamente. O passarinho hesita um segundo, a menina sente seu coração bater mais forte, então ele toma a decisão e ganha o azul do céu. Ela nem pôde tocar-lhe as penas pela última vez. No entanto acompanha seu vôo céu afora com um sorriso, os olhos miúdos querendo chorar e o coração apertado meio triste, meio feliz. Metade saudade, metade coragem.
Se ela logo fechou a janela e foi ver os desenhos ou se ficou a sofrer em sua cama a falta que lhe fazia o bichinho, não sabemos. Há quem diga que depressa voltou-se para suas bonecas e que vestia-as e penteava-as. Numa um rabo-de-cavalo, na outra os sapatos de fivela. Mas que de noite, quando se foi deitar, apesar do frio lá fora, deixou entreaberta a janela aonde ainda pendia a gaiola.
Por fim
Que te dei eu?
O impulso para acreditares que funcionaria
O impulso que te falta para tudo
O impulso.
É isso que sou, é o que tenho.
Aquele impulso que te leva a dar o primeiro passo para não estares parado.
O mesmo impulso que amaldiçoas por te encontrares agora perdido num caminho que nem fazes idéia. Caminho esse que te culpas por teres escolhido e nem lembras se de fato escolheste.
Um caminho que já não queres apesar dos inúmeros “e se...?” que, sabes, carregarias para sempre.
Pois bem. Que seja minha a mão a guiar-te. Deixa cair sobre ela a última gota de confiança que tens guardada.
Não te desapontarei. Também eu tenho razões para me redimir. Tenho sim responsabilidade por ter te empurrado a um caminho que já não posso prometer não haver abismos porque, de sinuoso que é, perdeu-se da minha visão ele também.
Aceita minha mão pela última vez.
E não perguntes se estou certa do que faço pois para mim, a certeza é estrepe. Mas sossega se te digo que ver-te em paz serve-me de alento.
Trilharei novos rumos, terei outras companhias que isto é fatal.
Mas não antes de te deixar em terra firme onde te sintas seguro e possas respirar e enfim percorrer com tuas próprias pernas os lugares que te coração inventar porque que ele se engana, se engana. Mas só quer acertar.
O impulso para acreditares que funcionaria
O impulso que te falta para tudo
O impulso.
É isso que sou, é o que tenho.
Aquele impulso que te leva a dar o primeiro passo para não estares parado.
O mesmo impulso que amaldiçoas por te encontrares agora perdido num caminho que nem fazes idéia. Caminho esse que te culpas por teres escolhido e nem lembras se de fato escolheste.
Um caminho que já não queres apesar dos inúmeros “e se...?” que, sabes, carregarias para sempre.
Pois bem. Que seja minha a mão a guiar-te. Deixa cair sobre ela a última gota de confiança que tens guardada.
Não te desapontarei. Também eu tenho razões para me redimir. Tenho sim responsabilidade por ter te empurrado a um caminho que já não posso prometer não haver abismos porque, de sinuoso que é, perdeu-se da minha visão ele também.
Aceita minha mão pela última vez.
E não perguntes se estou certa do que faço pois para mim, a certeza é estrepe. Mas sossega se te digo que ver-te em paz serve-me de alento.
Trilharei novos rumos, terei outras companhias que isto é fatal.
Mas não antes de te deixar em terra firme onde te sintas seguro e possas respirar e enfim percorrer com tuas próprias pernas os lugares que te coração inventar porque que ele se engana, se engana. Mas só quer acertar.
Puta da vida
Puta da vida.
É isso que eu quero ser quando eu crescer
Andar pela noite colorida que nem borboleta, mascar chiclete com a boca aberta...
Fazer sucesso com os rapazes.
Usar as roupas mais doidas sem que ninguém me encha o saco.
Fazer o quiser com meus cabelos. Vou pintar de loiro. Loiro com mechas ruivas. Ruivas, não! Cor-de-rosa.
As unhas serão sempre vermelhas e com glitter. Aliás vou usar glitter nos olhos também, por cima da sombra azul. Cílios postiços... ou não, às vezes um bom rímel resolve.
Eu vou poder fumar cigarro!!
Ninguém se incomodará, aposto. Ainda mais se eu estiver usando um vestido bem decotado. Vermelho.
Eu vou dar pra quem eu quiser!
Jamais ouvirei alguém me dizer: “Nada de sapatos de salto, fazem mal pra coluna.” HAHAHA...
Meus saltos serão os mais altos!
E eu vou andar neles sem cair. E vou rebolar muito quando andar. Todo mundo vai me chamar de gostosa.
Ah. E eu também vou mudar de nome. Meu nome será... Pietra. Pietra, A puta. E nunca mais vou ouvir : “Alice Paula Matoso Vieira” O que sempre me deixou muito, muito puta da vida.
É isso que eu quero ser quando eu crescer
Andar pela noite colorida que nem borboleta, mascar chiclete com a boca aberta...
Fazer sucesso com os rapazes.
Usar as roupas mais doidas sem que ninguém me encha o saco.
Fazer o quiser com meus cabelos. Vou pintar de loiro. Loiro com mechas ruivas. Ruivas, não! Cor-de-rosa.
As unhas serão sempre vermelhas e com glitter. Aliás vou usar glitter nos olhos também, por cima da sombra azul. Cílios postiços... ou não, às vezes um bom rímel resolve.
Eu vou poder fumar cigarro!!
Ninguém se incomodará, aposto. Ainda mais se eu estiver usando um vestido bem decotado. Vermelho.
Eu vou dar pra quem eu quiser!
Jamais ouvirei alguém me dizer: “Nada de sapatos de salto, fazem mal pra coluna.” HAHAHA...
Meus saltos serão os mais altos!
E eu vou andar neles sem cair. E vou rebolar muito quando andar. Todo mundo vai me chamar de gostosa.
Ah. E eu também vou mudar de nome. Meu nome será... Pietra. Pietra, A puta. E nunca mais vou ouvir : “Alice Paula Matoso Vieira” O que sempre me deixou muito, muito puta da vida.
Solidão
Antes que eu pudesse ver de novo, sumiu.
E o que nada era antes continuou.
Então foi estando assim, foi permanecendo
Eu olhando e vendo aquilo
aquilo que continuava nada como antes
Não sendo vazio nem cheio, não sendo
Eu ali parado a pouca distância daquilo
Olhando fixamente para encontrar
E fui caminhando em sua direção lentamente
com cuidado de quem não quer ser escutado
e tomei o seu lugar.
Aquilo agora ocupava todo meu redor.
Ao redor havia mais nada
e só isso comprova que eu estive ali
Então comecei a correr de um nada pro outro
Tomando furiosamente seu lugar
Preenchendo o espaço
E de tão rápido que eu era
me via no caminho quando já havia chegado
E a idéia do nada estar povoado de mim me fez parar
Eu preferia estar só.
E o que nada era antes continuou.
Então foi estando assim, foi permanecendo
Eu olhando e vendo aquilo
aquilo que continuava nada como antes
Não sendo vazio nem cheio, não sendo
Eu ali parado a pouca distância daquilo
Olhando fixamente para encontrar
E fui caminhando em sua direção lentamente
com cuidado de quem não quer ser escutado
e tomei o seu lugar.
Aquilo agora ocupava todo meu redor.
Ao redor havia mais nada
e só isso comprova que eu estive ali
Então comecei a correr de um nada pro outro
Tomando furiosamente seu lugar
Preenchendo o espaço
E de tão rápido que eu era
me via no caminho quando já havia chegado
E a idéia do nada estar povoado de mim me fez parar
Eu preferia estar só.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Amor Ciclista
:::O amor cometeu uma imprudência
Aconteceu de se espatifar
Doia rim, costela, consciência
Não parava de chorar
Dias no hospital para que tivesse melhora
Cuidados dignos de atleta
Mas confessou não ver a hora
De voltar para sua bicicleta.
E fez exames, fez charminhos
Até piadas fez
Ganhou conselhos, carinhos
E foi cair outra vez!
Esse amor, quanto me apronta!
Já de manhã quer pedalar
E eu fico em casa tonta
Preocupada, a rezar
Mas eu entendo a sensação
O vento na cara, a liberdade
Então aperto o coração
E o deixo à vontade
Até eu me aventurei
Glória, Leblon, Joá
2 ou 3 vezes me espatifei
E nem estava a pedalar!
O amor tudo me ensina
A clipar e desclipar
Se eu caio, não desanima
Logo se põe a me zombar
Esqueçamos os acontecimentos
Quero que sigas pedalando em paz
Porém, fique mais atento
E não caia NUNCA mais! :::
Aconteceu de se espatifar
Doia rim, costela, consciência
Não parava de chorar
Dias no hospital para que tivesse melhora
Cuidados dignos de atleta
Mas confessou não ver a hora
De voltar para sua bicicleta.
E fez exames, fez charminhos
Até piadas fez
Ganhou conselhos, carinhos
E foi cair outra vez!
Esse amor, quanto me apronta!
Já de manhã quer pedalar
E eu fico em casa tonta
Preocupada, a rezar
Mas eu entendo a sensação
O vento na cara, a liberdade
Então aperto o coração
E o deixo à vontade
Até eu me aventurei
Glória, Leblon, Joá
2 ou 3 vezes me espatifei
E nem estava a pedalar!
O amor tudo me ensina
A clipar e desclipar
Se eu caio, não desanima
Logo se põe a me zombar
Esqueçamos os acontecimentos
Quero que sigas pedalando em paz
Porém, fique mais atento
E não caia NUNCA mais! :::
quarta-feira, agosto 30, 2006
Terra-firme
Eu estou ao teu redor - quero pensar.
Na margem
A vigiar teus olhos
Para não baixarem
Soltas, correm tuas mãos
propagando as ondas
que me gritam aos ouvidos
coisas que mais temo
As ondas que me trazem
de volta para praia
cada vez que, confiante
me jogo n'água
E que, vez em quando
vêm molhar meus pés
para mostrar o tanto
que me cabe
e eu agradeço.
Posso notar teus olhos baixarem
Te alerto - Erros devem ser admitidos
Tu te esforças
é verdade
Me orgulha ver
Do meio do lago
olhos duros para frente
percebes meus sorrisos?
Não atentas que aceno?
Me arraste para o lago
não queres?
Nademos juntos
não queres?
Não baixa teus olhos
não vês?
Me afogo fora d'água
Na margem
A vigiar teus olhos
Para não baixarem
Soltas, correm tuas mãos
propagando as ondas
que me gritam aos ouvidos
coisas que mais temo
As ondas que me trazem
de volta para praia
cada vez que, confiante
me jogo n'água
E que, vez em quando
vêm molhar meus pés
para mostrar o tanto
que me cabe
e eu agradeço.
Posso notar teus olhos baixarem
Te alerto - Erros devem ser admitidos
Tu te esforças
é verdade
Me orgulha ver
Do meio do lago
olhos duros para frente
percebes meus sorrisos?
Não atentas que aceno?
Me arraste para o lago
não queres?
Nademos juntos
não queres?
Não baixa teus olhos
não vês?
Me afogo fora d'água
sexta-feira, agosto 18, 2006
Delírio
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Olavo Bilac
Belíssimo.
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
Olavo Bilac
Belíssimo.
sexta-feira, julho 14, 2006
terça-feira, junho 20, 2006
quinta-feira, junho 15, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006
terça-feira, março 28, 2006
Insônia parte I
Ai... dei uma cochilada assim que cheguei do trabalho e desde onze da noite não consigo dormir... To meio preocupada. Não me importo se vc não se importa, mas to afim de falar, ok? Não precisa ler.
Escuta, por que quando ouço um amigo que me diz pra me mandar, pra voltar pra Europa, pra viver a vida de louca, mochila nas costas, cultura, experiência, espontaneidade, dança, arte, morro de vontade de fazê-lo?
Por que me faltam respostas quando ele me pergunta "por que, então, puta merda, vc tá aí ainda?" Por que eu estou aqui ainda? Por que, pela manhã, as coisas me parecem umas e, à noite, já não me soam tão boas? Por que essa bipolaridade infernal??? Será que não consigo tomar uma decisão?
Meu tempo está acabando, entende? Eu quero dançar! Por que me afasto do meu sonho? Por que me afasto de tudo que me apresenta uma pequena dificuldade? Por que não consigo aceitar que não serei a melhor e ponto? Por que essa obsessão míope de querer ser boa pra caralho, saber pra caralho? Imaturidade da porra, isso sim!! Insegurança dos diabos! Vai tomar no cu!
Sabe o que pode ser isso? Medo da frustração. Eu posso ser uma daquelas pessoas que, tendo consiência que tudo corre o risco de falhar, não termina nada. POR ISSO estava te falando pra não me deixar desistir do curso no meio do caminho, meu caro! Tenho um puta talento pra abandonar as coisas. Me desapegar ou, simplesmente, acreditar que aquilo pelo que acabei de me apaixonar é o que eu sempre quis da vida.
Acontece que dói nos músculos, sabia? Dá enxaqueca, a porra toda!
Eu não sei pra onde ir! Mais uma vez. ODEIO "deixar a vida me levar"... porque não consigo admitir que, às vezes, é a única saída? Por que essa hipótese me dói, caralho?
Por que enxergo o que me vem sempre com melhores olhos do que o que tinha se o que eu tinha me fazia muito feliz tb? Ah, se o dia tivesse mais horas!!!!!
E li a Apologia de Sócrates. E quero ler de novo! Vai se foder, como condenam um cara daqueles?? Ai... o mundo já nasceu perdido, não vê?
quantas questões, meu Prazer, quantas questões! Que questões mais ridículas, né? Vc deve estar pensando... "tsc tsc pobre garotinha que não sabe nada da vida, se ao menos tivesse lido isso, ou isso..."
No que pensam as pessoas que me dizer pra ficar, estudar, trabalhar, ser uma cidadã comum? Porque acho que sei no que pensa meu amigo qdo me diz pra ser porra-louca. Ele espera que alguém o tenha como exemplo e que no final, dando tudo certo, ele diga: " ela fez exatamente o que eu disse e olha lá, que linda..." ou não! eu poderia me foder de verde e amarelo e ele talvez dissesse: "è, minha cara, essa opção não é pra todo mundo" Ou não! Talvez ele não me deixasse foder com as coisas. Ai, que viagem ridícula!
no que pensam os que me pedem pra ficar? No que é melhor pra mim? é nisso que pensam? Se baseiam em suas próprias experiências? Deveria, de fato, dar ouvidos a elas? Pra ele foi ótimo sair por aí, se prostituindo, dirigindo ambulância pra sobreviver... hoje as pessoas acham ele um merda e ele se acha tão bom, que nem sei em quem acreditar. Melhor apostar nos meus sentidos, pelo menos dessa vez. Pelo menos na dúvida. PUTA QUE PARIU meus sentidos não me indicam um caminho, UM, 1, único!! Porra que pessoa múltipla que sou!!! Quando paro pra pensar em coisas que poderia fazer... eu poderia fazer tudo! Eu gostaria de fazer tudo! Isso me enlouquece porque... eu quero fazer tudo e não posso e porque talvez isso seja uma grande mentira!!! AAAAAAAAAAHhhhhhhhhh... me salva! Tenho que conseguir dormir. Sou mesmo bipolar e ciclotímica. Nada como um dia após o outro. Até quando?
Obrigada por me ouvir. De uma forma ou de outra.
beijos.
Escuta, por que quando ouço um amigo que me diz pra me mandar, pra voltar pra Europa, pra viver a vida de louca, mochila nas costas, cultura, experiência, espontaneidade, dança, arte, morro de vontade de fazê-lo?
Por que me faltam respostas quando ele me pergunta "por que, então, puta merda, vc tá aí ainda?" Por que eu estou aqui ainda? Por que, pela manhã, as coisas me parecem umas e, à noite, já não me soam tão boas? Por que essa bipolaridade infernal??? Será que não consigo tomar uma decisão?
Meu tempo está acabando, entende? Eu quero dançar! Por que me afasto do meu sonho? Por que me afasto de tudo que me apresenta uma pequena dificuldade? Por que não consigo aceitar que não serei a melhor e ponto? Por que essa obsessão míope de querer ser boa pra caralho, saber pra caralho? Imaturidade da porra, isso sim!! Insegurança dos diabos! Vai tomar no cu!
Sabe o que pode ser isso? Medo da frustração. Eu posso ser uma daquelas pessoas que, tendo consiência que tudo corre o risco de falhar, não termina nada. POR ISSO estava te falando pra não me deixar desistir do curso no meio do caminho, meu caro! Tenho um puta talento pra abandonar as coisas. Me desapegar ou, simplesmente, acreditar que aquilo pelo que acabei de me apaixonar é o que eu sempre quis da vida.
Acontece que dói nos músculos, sabia? Dá enxaqueca, a porra toda!
Eu não sei pra onde ir! Mais uma vez. ODEIO "deixar a vida me levar"... porque não consigo admitir que, às vezes, é a única saída? Por que essa hipótese me dói, caralho?
Por que enxergo o que me vem sempre com melhores olhos do que o que tinha se o que eu tinha me fazia muito feliz tb? Ah, se o dia tivesse mais horas!!!!!
E li a Apologia de Sócrates. E quero ler de novo! Vai se foder, como condenam um cara daqueles?? Ai... o mundo já nasceu perdido, não vê?
quantas questões, meu Prazer, quantas questões! Que questões mais ridículas, né? Vc deve estar pensando... "tsc tsc pobre garotinha que não sabe nada da vida, se ao menos tivesse lido isso, ou isso..."
No que pensam as pessoas que me dizer pra ficar, estudar, trabalhar, ser uma cidadã comum? Porque acho que sei no que pensa meu amigo qdo me diz pra ser porra-louca. Ele espera que alguém o tenha como exemplo e que no final, dando tudo certo, ele diga: " ela fez exatamente o que eu disse e olha lá, que linda..." ou não! eu poderia me foder de verde e amarelo e ele talvez dissesse: "è, minha cara, essa opção não é pra todo mundo" Ou não! Talvez ele não me deixasse foder com as coisas. Ai, que viagem ridícula!
no que pensam os que me pedem pra ficar? No que é melhor pra mim? é nisso que pensam? Se baseiam em suas próprias experiências? Deveria, de fato, dar ouvidos a elas? Pra ele foi ótimo sair por aí, se prostituindo, dirigindo ambulância pra sobreviver... hoje as pessoas acham ele um merda e ele se acha tão bom, que nem sei em quem acreditar. Melhor apostar nos meus sentidos, pelo menos dessa vez. Pelo menos na dúvida. PUTA QUE PARIU meus sentidos não me indicam um caminho, UM, 1, único!! Porra que pessoa múltipla que sou!!! Quando paro pra pensar em coisas que poderia fazer... eu poderia fazer tudo! Eu gostaria de fazer tudo! Isso me enlouquece porque... eu quero fazer tudo e não posso e porque talvez isso seja uma grande mentira!!! AAAAAAAAAAHhhhhhhhhh... me salva! Tenho que conseguir dormir. Sou mesmo bipolar e ciclotímica. Nada como um dia após o outro. Até quando?
Obrigada por me ouvir. De uma forma ou de outra.
beijos.
sábado, março 18, 2006
sexta-feira, março 17, 2006
Sem título
Acho que a crise não está, exatamente, no que você vem falando em suas aulas. Ok, é inútil tentar identificar onde está a crise. Não tenho essa pretensão. Basta saber que ela existe e que é muito bom mesmo que exista. Até porque, muito do que você diz, eu reconheço. Já passou pela minha cabeça, faz muito sentido pra mim, não é de todo novidade. Só que a gente tende a afastar aquilo com o que não consegue lidar. É bem comum isso, cacete, você sabe melhor que eu, falou disso hoje! Nem sei mais o que eu aprendi com você e o que já sabia... melhor aceitar que não sabia nada porque saber e não compreender o que se sabe, não aplicar ou não poder expressar em palavras é uma merda, é o mesmo que nada ter. E se eu estou escrevendo sobre isso, ainda que de maneira bem pobre, ah... é porque...
O ponto era esse: há alguém com capacidade de verbalizar e, assim, esclarecer e divulgar aquilo que me faz entender tudo e nada em tantos momentos, percebe?
E ouvindo você falar, ouvindo alguém falar e falar tão bem é como se... ok, vamos lá:
Eu tenho um monte de argila e vou pra sua aula. Saio de lá com um vaso. A argila é minha. Mas ela seria argila pra sempre se você não estivesse ali, me ensinando a moldar. Confesso que em muitas partes do vaso você mete a mão e faz sozinho. É bom poder contar com isso. Só quero que você se sinta feliz por eu ter a argila (você vê a argila em minhas mãos, ou eu estou viajando?). É bonito ver que, para quem não tem argila, você traz um tanto da sua pra emprestar. Há quem a pegue para tentar moldar e é importante que você veja isso. Porém, você me aponta que muitos simplesmente não a querem. Isso me entristece e não, ao mesmo tempo... que merda.
Eu tenho a argila e me sinto estranhamente especial por isso. Mas quero uma coleçããããão de vasos, e sua ajuda é muito importante pra mim, percebe? E... eu sei que existem coleções e coleções de vasos, claro! Quero ser capaz de moldar sozinha porque desejo uma coleção infinita... Será possível? Você me mostra que sim, o mundo me grita que não. É porque tem capacidade limitada!
Não vê que existem pessoas disputando o tamanho de suas coleções? Colecionadoras de vasos sanitários, feitos de barro, isso sim!
Foda-se! Não me importo! Eu quero produzir, quero moldar! E se me faltar argila...
Bom... não temo que me falte argila, vez ou outra, se você ainda estiver por aí. É bom que esteja. Vou precisar de você para quebrar meus vasos quando, em momentos de descaso com a vida, eu acreditar que a coleção está grande o bastante.
O ponto era esse: há alguém com capacidade de verbalizar e, assim, esclarecer e divulgar aquilo que me faz entender tudo e nada em tantos momentos, percebe?
E ouvindo você falar, ouvindo alguém falar e falar tão bem é como se... ok, vamos lá:
Eu tenho um monte de argila e vou pra sua aula. Saio de lá com um vaso. A argila é minha. Mas ela seria argila pra sempre se você não estivesse ali, me ensinando a moldar. Confesso que em muitas partes do vaso você mete a mão e faz sozinho. É bom poder contar com isso. Só quero que você se sinta feliz por eu ter a argila (você vê a argila em minhas mãos, ou eu estou viajando?). É bonito ver que, para quem não tem argila, você traz um tanto da sua pra emprestar. Há quem a pegue para tentar moldar e é importante que você veja isso. Porém, você me aponta que muitos simplesmente não a querem. Isso me entristece e não, ao mesmo tempo... que merda.
Eu tenho a argila e me sinto estranhamente especial por isso. Mas quero uma coleçããããão de vasos, e sua ajuda é muito importante pra mim, percebe? E... eu sei que existem coleções e coleções de vasos, claro! Quero ser capaz de moldar sozinha porque desejo uma coleção infinita... Será possível? Você me mostra que sim, o mundo me grita que não. É porque tem capacidade limitada!
Não vê que existem pessoas disputando o tamanho de suas coleções? Colecionadoras de vasos sanitários, feitos de barro, isso sim!
Foda-se! Não me importo! Eu quero produzir, quero moldar! E se me faltar argila...
Bom... não temo que me falte argila, vez ou outra, se você ainda estiver por aí. É bom que esteja. Vou precisar de você para quebrar meus vasos quando, em momentos de descaso com a vida, eu acreditar que a coleção está grande o bastante.
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